terça-feira, novembro 11

3.0 remasterizada

Tudo começou numa oficina de caricatura. Eu exagerei os grandes olhos de Alexsandra enquanto ela exagerou meu nariz torto. Meu nariz? Torto? E assim, aos 19 anos, eu enfim soube da verdade absoluta: eu tinha nariz turco e torto.

Você, mulher, deve ver algo em seu reflexo que lhe deixa maluca de raiva. Celulite, gordura localizada, flacidez, dentes, sudorese exasperada, cabelo que não ajeita, estrias, vasinhos, olhos, bochecha, peito, barriga, bunda, tudo caído! Ai que horror! Então você entende meu drama ao descobrir que, além de tudo, eu ainda tinha um nariz torto!

Graças ao bom Deus que com os anos as pessoas vão se aceitando - e se acertando. Você conhece novas técnicas, novos profissionais, novas atitudes que lhe dão confiança para largar os traumas juvenis e ir adiante. A vida segue bela... Até o dia em que uma radiografia confirma: sua napa torta foi causada por uma porrada que você levou. Sabe aquela vez que você ficou de pé no gira-gira, imitando a Mulher Maravilha, e voou pela tangente e arrebentou a testa? Então, provavelmente foi ali que seu nariz nunca mais foi o mesmo.

Descoberta a fratura, descobriu-se o problema de septo. O corpo, mui sábio, produziu bastante cartilagem para manter a respiração intacta. Isso é igual a nariz cada vez mais torto... torto... torto... E as pessoas dizendo "tem seu charme", "achei que você era grega", "se você não falasse eu nem notaria"... mas não adiantava. Eu já tinha decidido. E já que era pra entrar na faca, vamos fazer tudo de uma vez! [pausa: lembra da gordura localizada? como esquece-la! depois de eliminar 10 kg, era só destruir os pneus de boeing e voilá!]. Faltava apenas encontrar o momento certo e levantar a grana.

O problema é que o momento certo e a grana estavam demorando muito pra acontecer. E quem sabe faz a hora! Então, dia 07 de novembro, eu fiz: arrumei o septo, desentortei a napa e eliminei a graxa extra. Alexsandra, ela mesma, foi enfermeira nas fatídicas primeiras 48 horas. Passou pelo inferno, a coitada! Teve que trocar muitos curativos, ver sangue e fingir naturalidade, dar banho e esfregar a cola do esparadrapo, fazer comida, limpar o chão, carregar minha bolsa, ser meu shuttle, colocar a cinta pós-cirúrgica, me ver pelada e toda roxa, me vestir, me dar remédio, aguentar meus lamentos e ainda dormir comigo. Mas quer saber? Foi divertido assim.

Obrigada, Grega. Mas pare de ser tão observadora, que eu já tô devendo horrores pra minha mãe!

2 comentários:

Débora disse...

Ai que delícia de relato!
Espero que esteja recuperada, quero te ver versão 3.0!!!
Uhulll e claro, comemorar!!!
Beijos gatona

Débora disse...

Ah!
Eu "queimalinguaria" esse texto...